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Pesquisa avança para diagnóstico integrado da saúde mental estudantil e da rede de proteção psicossocial da UFBA

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Legenda: A coordenadora, professora Denise Vieira (de lilás) e o pesquisador Vinícius Melo (de amarelo) estão ao centro, entre profissionais da rede proteção psicossocial da UFBA.
 

Estabelecer um diagnóstico integrado sobre saúde mental, o bem-estar e a rede de proteção psicossocial na UFBA é o objetivo do “Projeto integrado de pesquisa sobre a saúde mental na UFBA: uma estratégia de ampliação da atenção psicossocial”, desenvolvido no âmbito do “Projeto Mãos Dadas” e em cooperação técnico-científica com a EduWellTech, incubada no ecossistema USP-CIETEC/IPEN. A ação já está em curso com a realização de entrevistas com profissionais e gestores da rede de atenção psicossocial e, a partir do dia 4 de maio, dará início à coleta de informação com os estudantes da graduação e pós-graduação, que receberão um link por e-mail.  

“A iniciativa pretende contribuir para que a universidade compreenda melhor as necessidades da comunidade acadêmica e avance na organização de respostas institucionais mais qualificadas”, informa a coordenadora do Projeto Mãos Dadas, Denise Vieira da Silva, também chefe de gabinete da Reitoria da UFBA. Para ela, “as questões relacionadas à convivência precisam ocupar lugar central, tanto na promoção da cidadania quanto na prevenção de situações emergenciais que impactam a vida universitária”.

“O objetivo geral é produzir subsídios para qualificar políticas institucionais de cuidado, permanência e governança psicossocial”, destaca o pesquisador Carlos Vinicius Gomes Melo, responsável pela condução técnico-científica do projeto. “Isso inclui mapear os serviços da rede, levantar dados com diferentes segmentos da universidade, identificar dispositivos de acesso ao cuidado e gerar indicadores e recomendações para a gestão universitária”, acrescentou Melo. 

A proposta, que articula extensão universitária, pesquisa aplicada, gestão institucional e inovação em saúde mental estudantil, “parte do entendimento de que a saúde mental dos estudantes não depende apenas de fatores individuais”, disse Denise Vieira. “Ela está diretamente relacionada às condições de convivência, pertencimento, permanência, discriminação, acesso a serviços e apoio institucional”, pontuou a docente, enfatizando que “nesse sentido, o projeto busca fortalecer respostas em rede, baseadas em evidências, para qualificar as políticas universitárias de cuidado e permanência”.


A pesquisa na prática 


A pesquisa está organizada em quatro frentes complementares. A primeira é o mapeamento da rede psicossocial da UFBA, com levantamento e consolidação de informações sobre serviços, programas, núcleos, projetos e instâncias institucionais de acolhimento, assistência, proteção e apoio psicossocial. Essa etapa busca tornar a rede mais visível, legível e acessível para a comunidade universitária, além de identificar fluxos, lacunas e possibilidades de articulação institucional. 
A segunda frente é a coleta com gestores dos serviços da rede, por meio de questionários e entrevistas, com foco em governança, indicadores e fluxos institucionais. A terceira envolve profissionais que atuam nos serviços, também com questionários e entrevistas em profundidade, voltados à compreensão das demandas acolhidas, do escopo do trabalho, dos desafios enfrentados e dos recursos já utilizadas no cuidado estudantil. 

A quarta frente é a coleta com estudantes de graduação e pós-graduação da UFBA, realizada por meio de protocolo psicométrico estruturado e, em etapa qualitativa, por entrevistas em profundidade e grupos focais. A partir de 4 de maio, os estudantes receberão, em seus e-mails institucionais, o link do questionário. A participação será voluntária e anônima, permitindo produzir um retrato mais amplo e qualificado da saúde mental estudantil na universidade. 

A coleta de dados ocorre de forma progressiva e em etapas sucessivas. O trabalho foi iniciado com o mapeamento institucional da rede e com a aproximação junto a gestores e profissionais dos serviços. Em seguida, avança para a etapa com estudantes, que será realizada em ondas ao longo do ciclo do projeto. A proposta combina procedimentos quantitativos e qualitativos, de modo a reunir tanto indicadores amplos quanto uma compreensão detalhada das experiências da comunidade acadêmica. 

O projeto prevê análises parciais ao longo do percurso, com devolutivas intermediárias, e uma consolidação abrangente dos resultados em etapa posterior. A apresentação institucional do projeto também prevê um cronograma integrado entre 2026 e 2027, com aplicação de questionários, entrevistas, grupos focais, relatórios técnicos e formulação de recomendações para qualificação da Rede de Proteção Psicossocial da UFBA.

A expectativa do pesquisador Vinícius Melo é que “entre os resultados esperados estão a formulação de indicadores analíticos sobre saúde mental estudantil; o mapeamento sistematizado da rede psicossocial da UFBA; a produção de diretrizes e recomendações para políticas universitárias, além da realização de seminários, oficinas e devolutivas públicas”. Também está prevista a disponibilização do mapeamento da rede em ambiente digital de acesso público, fortalecendo a visibilidade institucional dos serviços e ampliando as possibilidades de acesso por parte dos estudantes.

A proposta nasceu do encontro entre a experiência institucional do Projeto Mãos Dadas, vinculado à Rede de Proteção Psicossocial da UFBA e ao seu Círculo de Cuidado e Protagonismo, e uma frente de pesquisa aplicada voltada à produção de evidências sobre saúde mental, bem-estar estudantil e acesso aos dispositivos de cuidado. A coordenação está sob responsabilidade da professora Denise Vieira da Silva, coordenadora do Projeto Mãos Dadas; da pró-reitora de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil, Cássia Virgínia Bastos Maciel, vice-coordenadora do projeto; e do professor Carlos Vinicius Gomes Melo, pesquisador visitante da UFBA e responsável pela cooperação técnico-científica, vinculada à EduWellTech (USP-CIETEC/IPEN).